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A alergia alimentar é uma das doenças alérgicas que mais cresce na infância e representa uma preocupação frequente entre pais e pediatras. Embora muitas famílias associem qualquer reação após a alimentação a uma alergia, o diagnóstico correto exige uma avaliação cuidadosa.

A Atualização em Alergia Alimentar 2025, publicada pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e pela Associação Brasileira de Alergia, Asma e Imunologia (ASBAI), trouxe importantes mudanças sobre diagnóstico, tratamento e prevenção da doença.

A alergia alimentar na infância ocorre quando o sistema imunológico reage de forma inadequada às proteínas presentes em determinados alimentos. Os mais frequentemente envolvidos na infância são leite de vaca, ovo, amendoim, castanhas, trigo, soja, peixe e frutos do mar.

Quais são os 11 sinais e sintomas de alergia alimentar na infância?

É importante saber e reconhecer os sinais e sintomas de alergia IgE-mediadas, que tendem a ocorrer em minutos a até 2 horas após a ingestão do alergênico

  • Urticária / Vermelhidão da pele
  • Inchaço de partes moles da face – língua, olhos, orelhas
  • Vômitos
  • Diarreia
  • Dor abdominal
  • Falta de ar
  • Chiado no peito
  • Tosse rouca/metálica
  • Estridor inspiratório
  • Queda de pressão arterial
  • Anafilaxia

Também existem formas de alergia alimentar não mediadas por IgE, nas quais predominam sintomas gastrointestinais, como sangue nas fezes, vômitos persistentes, diarreia crônica ou dificuldade para ganhar peso.

Quando devo introduzir os alimentos alergênicos?

Os alimentos alergênicos devem ser introduzidos a partir de 6 meses de idade, sempre sob orientação do seu pediatra. É interessante que se aproveite a chamada “janela imunológica” que vai dos 6 aos 12 meses de vida para fazer a introdução de tais alergênicos.

Como faço pra saber se meu filho tem alergia alimentar?

Uma das principais mensagens da atualização de 2025 é que não existe exame isolado capaz de confirmar alergia alimentar. O diagnóstico depende da história clínica detalhada, do exame físico e, quando indicado, de testes específicos.

Os testes cutâneos e a dosagem de IgE específica ajudam na investigação, mas não confirmam, sozinhos, que a criança seja realmente alérgica. Um resultado positivo apenas indica sensibilização, que nem sempre significa doença clínica.

Quando necessário, o Teste de Provocação Oral (TPO) é considerado o padrão-ouro para confirmar ou excluir o diagnóstico. A atualização reforça que esse exame deve ser realizado em ambiente preparado, por equipe treinada, devido ao risco de reações alérgicas.

O tratamento vai além da exclusão do alimento

Durante muitos anos, o tratamento consistia apenas em retirar completamente o alimento da dieta. Atualmente, sabe-se que o manejo deve ser individualizado.

A exclusão continua sendo necessária enquanto houver alergia confirmada, porém dietas restritivas desnecessárias podem causar prejuízos nutricionais, especialmente em crianças pequenas. Por isso, toda restrição alimentar deve ser acompanhada pelo pediatra e, quando necessário, por nutricionista.

Outra novidade importante é o avanço da imunoterapia oral, tratamento que consiste na administração gradual e supervisionada do alimento para aumentar a tolerância do organismo em pacientes selecionados. Apesar dos resultados promissores, ela ainda deve ser realizada apenas por equipes especializadas – no caso, um médico alergoimunologista.

5 formas de prevenir a alergia alimentar na infância

  • Manter e incentivar o aleitamento materno
  • Tipo de parto – no caso o vaginal – tem relação com a diminuição de chance de alergia
  • Contato com a natureza e animais – a prevalência de alergias alimentares é menor em meio rural do que em centros urbanos
  • Evitar poluição
  • Consumir alimentos naturais e evitar ultraprocessados em geral

Quando procurar o pediatra?

Sempre que a criança apresentar reações repetidas após consumir determinado alimento, é importante buscar avaliação médica antes de retirar alimentos da dieta por conta própria.

O diagnóstico precoce evita restrições desnecessárias, reduz o risco de reações graves e permite um acompanhamento adequado do crescimento e desenvolvimento infantil.

A boa notícia é que muitas crianças desenvolvem tolerância naturalmente ao longo dos anos, especialmente nos casos de alergia ao leite de vaca, ovo, soja e trigo. Já alergias ao amendoim, castanhas, peixes e frutos do mar costumam persistir por mais tempo

Para saber mais sobre alimentação infantil, leia sobre diferença de Gag e Engasgo e Sinais de Desidratação