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A hérnia umbilical no bebê é uma situação bastante comum e, apesar de frequentemente causar preocupação nos pais, na maioria das vezes não representa um problema grave. Muitas famílias percebem que o umbigo do bebê fica mais “saltado”, principalmente quando ele chora, tosse ou faz força.

Mas afinal, o que é a hérnia umbilical? Ela fecha sozinha? É necessário fazer ultrassom? Quando a criança precisa de cirurgia?

Neste artigo, explico tudo o que os pais precisam saber sobre a hérnia umbilical no bebê.

O que é a hérnia umbilical no bebê?

Durante a gestação, o cordão umbilical passa por uma pequena abertura na parede abdominal do bebê. Após o nascimento, essa abertura normalmente se fecha progressivamente.

Em alguns bebês, porém, esse fechamento não acontece completamente. Dessa forma, permanece uma pequena abertura na musculatura da parede abdominal, próxima ao umbigo.

A hérnia umbilical acontece quando gordura ou uma pequena porção do conteúdo abdominal protrui através dessa abertura, formando uma elevação no umbigo.

A hérnia umbilical é relativamente comum na infância. Estima-se que ela esteja presente em aproximadamente 1 em cada 5 recém-nascidos.

Ilustração mostrando como ocorre a hérnia umbilical no bebê

Como saber se o bebê tem hérnia umbilical?

O sinal mais comum é um abaulamento ou uma “bolinha” no umbigo.

Muitas vezes, os pais percebem que esse abaulamento:

  • aumenta quando o bebê chora;
  • fica mais evidente quando faz força;
  • pode diminuir quando o bebê está relaxado;
  • pode praticamente desaparecer quando o bebê está deitado.

Em geral, a hérnia umbilical não causa dor e o bebê continua mamando, dormindo e se desenvolvendo normalmente.

É importante lembrar que o tamanho da parte que aparece para fora não é necessariamente o melhor indicador da evolução. O tamanho da abertura na musculatura abdominal é mais relevante para avaliar a possibilidade de fechamento espontâneo.

Hérnia umbilical no bebê fecha sozinha?

Na maioria dos casos, sim.

Grande parte das hérnias umbilicais fecha espontaneamente à medida que a criança cresce e a musculatura da parede abdominal amadurece.

A Academia Americana de Pediatria informa que cerca de 90% das hérnias umbilicais fecham espontaneamente até os 4 anos de idade. Por isso, em crianças sem sintomas ou complicações, geralmente é possível acompanhar a evolução antes de considerar uma cirurgia.

O tamanho da abertura da hérnia também pode influenciar a probabilidade de fechamento espontâneo. Hérnias com defeitos menores tendem a apresentar maior chance de fechamento ao longo dos primeiros anos de vida.

Portanto, encontrar uma hérnia umbilical no bebê não significa que ele precisará passar por cirurgia.

Chorar muito piora a hérnia umbilical?

Não.

O choro pode fazer com que a hérnia fique mais visível, porque aumenta temporariamente a pressão dentro do abdome. Isso pode deixar o umbigo mais abaulado.

No entanto, o choro não é a causa da hérnia e não significa, por si só, que ela esteja piorando.

O mesmo pode acontecer quando o bebê tosse ou faz força.

Precisa fazer ultrassom para diagnosticar a hérnia umbilical?

Na maioria dos casos, não.

O diagnóstico da hérnia umbilical costuma ser clínico, realizado pelo pediatra durante o exame físico.

Em algumas situações específicas, pode ser necessário solicitar um exame de imagem, como o ultrassom, especialmente quando existe dúvida diagnóstica ou necessidade de avaliar melhor o conteúdo da hérnia.

Portanto, nem todo bebê com hérnia umbilical precisa realizar ultrassonografia.

Posso colocar moeda, faixa ou esparadrapo no umbigo do bebê?

Não.

Antigamente, algumas famílias utilizavam moedas, faixas, cintas ou outros objetos presos sobre o umbigo na tentativa de fazer a hérnia fechar.

Essa prática não é recomendada.

Esses métodos não aceleram o fechamento da hérnia e podem causar irritação ou lesões na pele.

Além disso, pressionar constantemente a região não corrige a abertura existente na musculatura abdominal.

O acompanhamento adequado com o pediatra é a melhor forma de observar a evolução da hérnia umbilical.

Quando a hérnia umbilical pode ser preocupante?

Quando procurar atendimento por hérnia umbilical no bebê

A grande maioria das hérnias umbilicais em crianças evolui sem complicações. Problemas como encarceramento ou comprometimento do fluxo sanguíneo são raros.

Ainda assim, os pais devem procurar avaliação médica com urgência caso o bebê apresente:

  • dor importante ou choro inconsolável associado à região da hérnia;
  • abaulamento endurecido;
  • hérnia que permanece protrusa e não reduz como habitualmente;
  • mudança importante na coloração da pele sobre o umbigo;
  • vômitos, especialmente quando associados a dor abdominal;
  • distensão abdominal ou piora importante do estado geral.

Esses sinais são incomuns, mas podem indicar uma complicação e precisam de avaliação médica.

Quando é necessário operar a hérnia umbilical?

A cirurgia não é necessária para a maioria dos bebês.

Como muitas hérnias fecham espontaneamente, é comum realizar apenas acompanhamento durante os primeiros anos de vida quando a criança está bem e não apresenta complicações.

A indicação cirúrgica pode ser considerada em situações como:

  • hérnia que não fecha espontaneamente com o crescimento da criança;
  • defeitos maiores;
  • presença de dor ou complicações;
  • hérnia encarcerada;
  • situações em que existe comprometimento do conteúdo da hérnia.

A idade ideal para indicar cirurgia pode variar conforme o tamanho da hérnia, a evolução e a avaliação do cirurgião pediátrico. Referências da Academia Americana de Pediatria e do American College of Surgeons descrevem a possibilidade de acompanhamento expectante em crianças assintomáticas, frequentemente até aproximadamente 4–5 anos de idade.

Quando indicada, a cirurgia é chamada de correção de hérnia umbilical ou herniorrafia. O procedimento consiste em reposicionar o conteúdo da hérnia e fechar a abertura na parede abdominal.

A hérnia umbilical dói?

Na maioria das vezes, não.

Muitas crianças com hérnia umbilical não apresentam nenhum desconforto e levam uma vida completamente normal.

Por isso, a presença do abaulamento no umbigo, isoladamente, não significa que o bebê esteja sentindo dor.

Se houver dor importante, mudança súbita no aspecto da hérnia ou sintomas como vômitos e piora do estado geral, a criança deve ser avaliada.

A hérnia umbilical tem relação com a forma como o cordão umbilical foi cortado?

Não.

A hérnia umbilical não acontece porque o cordão foi cortado de forma inadequada e não é causada pelos cuidados realizados pelos pais após o nascimento.

Ela ocorre porque a abertura natural existente na parede abdominal, por onde passava o cordão umbilical, não se fechou completamente após o nascimento.

Também não há relação entre a hérnia e o fato de o bebê chorar muito.

Hérnia umbilical no bebê: o que os pais precisam lembrar

Na maioria dos casos, a hérnia umbilical no bebê é uma condição comum, indolor e que pode fechar espontaneamente durante o crescimento.

Não é recomendado utilizar moedas, faixas, cintas ou esparadrapos sobre o umbigo. Esses métodos não fazem a hérnia fechar e podem causar problemas na pele.

O acompanhamento com o pediatra é importante para avaliar o tamanho da abertura, acompanhar sua evolução e identificar situações que necessitem de avaliação especializada.

Se o bebê apresentar dor, vômitos, endurecimento da hérnia, mudança de cor ou uma alteração súbita no aspecto do umbigo, procure atendimento médico.

Cada criança deve ser avaliada individualmente, especialmente quando existem dúvidas sobre o diagnóstico ou sobre a necessidade de acompanhamento com um cirurgião pediátrico.

Referências

American Academy of Pediatrics. Umbilical Hernia in Babies & Children.

American College of Surgeons. Pediatric Umbilical Hernia.

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